sábado, 8 de novembro de 2014

Afetividade na EAD - Manual para tutores


A autonomia do aluno em EaD e a importância da afetividade

          Um curso de EaD não pode dar prioridade apenas ao suporte tecnológico ou a qualidade estética, e esquecer as relações afetivas com os seus alunos. Pois são essas relações que vão dar aos alunos a autonomia que eles tanto precisam.
            Afetividade é a maneira com a qual o indivíduo é afetado pelas circunstâncias que estão a nossa volta. “Nesse sentido, o grande desafio estaria em resolver questões de ordem sócio-afetiva, mais do que questões referentes ao conteúdo e método” (Belloni,1999.)



O professor/tutor demonstra preocupação em entender o aluno e suas necessidades individuais, tanto as afetivas quanto as cognitivas. São as emoções que motivam qualquer indivíduo. O professor/tutor precisa conhecer a história de cada aluno, saber ouvi-lo, para saber como motivá-lo sendo um gestor do conhecimento social. O aluno deve ser atendido de uma forma mais personalizada, sendo avaliado qualitativamente. O professor/tutor acompanha o seu desenvolvimento, identifica as suas dificuldades, fazendo sempre uma auto-avaliação em conjunto com os alunos, para saber, por exemplo, se os recursos usados estão funcionando, se o ritmo, o formato e os recursos do curso estão conseguindo atingir o objetivo proposto.
            Sendo a educação a estratégia básica da formação humana, isto é, aprender a aprender, criar, inovar, construir conhecimento, participar. Neste caso, não podemos deixar de citar Paulo Freire, pois é preciso que:
              
                          
“...vá ficando cada vez mais claro que, embora diferentes entre si, quem forma se forma e re-forma ao formar quem é formado, forma-se e forma ao ser formado. É neste sentido que ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado”. “(...) Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. (Freire,2002,p.25)
                                                     

            Hoje está bem claro que o papel do professor/tutor de um curso a distância é tão ou mais importante quanto o do docente da educação presencial. Dele se espera além do domínio do conhecimento, habilidades interpessoais. A personalidade do professor/tutor, segundo Chan (2002) “... é um dos fatores preponderantes que afetam a comunicação e a negociação com os estudantes, refletindo-se no desenvolvimento do aluno com o curso e influenciando a aprendizagem”.
            A construção da autonomia do aluno passa por tudo isso, pois ela é o produto de um processo interativo, é a capacidade de desprendimento, de independência, de saber tomar decisões, de assumir responsabilidades, de tomar iniciativas no processo de ensino-aprendizagem. Mas essa autonomia não pode em hipótese alguma excluir a aprendizagem colaborativa com os outros alunos e também com o professor/tutor.
            O tutor deve mostrar possibilidades de caminhos para os alunos para que eles mesmos possam por seus próprios meios superar as dificuldades, resolver os problemas e encontrar soluções para suas dificuldades. Para isso o tutor deve conhecer seus alunos, conhecer superficialmente não é suficiente, é preciso conhecer o íntimo de cada um, para isso é necessário estreitar relações e dedicar-se ao desenvolvimento da afetividade. 
Nesse (a) trabalho/pesquisa queremos revelar a importância do papel afetivo na construção dos saberes em ambientes virtuais de aprendizagem. Afetividade, dentro da definição apresentada no dicionário Aurélio (2004):

“Conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob forma de emoções, sentimentos e paixões, acompanhados sempre da impressão de dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado     ou desagrado, de alegria ou tristeza”.    

            Para Piaget (1986), o desenvolvimento intelectual é influenciado pela afetividade. É necessário que os conflitos emocionais sejam construtivos, que seja criada uma relação educativa dialógica e colaborativa. Por isso a responsabilidade do professor/tutor passa a ser fundamental: ele cria estratégias que encorajam a autonomia do aluno. Entre as qualidades desse profissional bem sucedido, segundo Chan (2002), além da personalidade, destacamos o alto grau de extroversão, estar apto a aceitar novas idéias e diferentes opiniões, ter sensibilidade ao que pode inspirar e motivar o interesse intelectual e individual do aluno; elogiar os alunos por boas idéias ou contribuições proveitosas e aceitá-las de bom grado; estimular os alunos a pensar de forma independente, informar sempre o objetivo de cada aula e/ou atividade, mostrar sempre entusiasmo em ensinar, tratando os alunos com respeito, apresentando suas idéias de forma interessante, administrando as discussões que acontecem porque elas contribuem para a experiência de aprendizagem e agir mais como um membro do grupo do que como um líder autocrático. 
             O professor/tutor é um orientador do aluno, é o que acompanha o desenvolvimento do cursista, instiga-o, o leva a refletir, a compreender seus equívocos e analisar e melhorar suas produções. O tutor se faz presente em determinados momentos, alguns pré-programados, outros que o professor vê necessidade, mas ele não deve estar presente para controlar a aprendizagem. Caso ocorra o contrário criará dependência e não autonomia, o que fará perpetuar as situações tradicionais de sala de aula.
            Esse é o maior desafio da EaD. Como fazer que o aluno desenvolva essa autonomia? Como se adaptar a essa nova modalidade?

“Pode-se dizer que o “calcanhar de Aquiles” na EaD é a situação de aprendizagem individual.” O estudar sem a presença regular dos colegas e professores desafia o cursista a superar suas limitações pessoais e desenvolver sua capacidade de aprender autonomamente, de aprender a aprender. “Este é um processo que exige envolvimento tanto da instituição que oferece o curso como do cursista inscrito.” (Preti, 1996)
Falando um pouco mais desse desafio que é a conquista da autonomia, da autoformação, da autoaprendizagem, do aprender a aprender, da autoregulação. Essa transformação do aluno em sujeito, autor e condutor do seu próprio processo de formação não é nada mais que a autonomia, álias, sempre foi uma das bandeiras de luta na educação, e está totalmente relacionada com democracia e com cidadania. O aluno tem que tomar para si a sua formação, ele passa a ser autoridade, a ser autor da própria fala e do próprio agir.
O ser humano tem essa natureza desde que nasce, conquistar a sua autonomia, a sua liberdade. Mesmo quando os meios não são favoráveis a isso. É uma conquista de cada ser e ele a persegue por toda sua vida.
Neves relata: “...a autonomia não é um valor absoluto, fechado em si mesmo, mas  um valor que se define numa relação de interação social.” (Neves, In Veiga, 1996, p. 97)
Essa autonomia não pode ser construída no vazio, sem uma direção, tem que ter objetivos definidos, o aluno tem que ter a certeza do que ele quer para sua vida profissional. E esse processo tem que ser antes de tudo prazeroso. Tem que ser feito com paixão. Tem que ter uma relação afetiva. Tem que haver envolvimento, entusiasmo, gostar realmente do que está fazendo. Pois: “O que não se faz sentir, não se entende, e o que não se entende, não interessa.” (Simon Rodrigues, apud Gutierrez, Prado, 1999, p.64)
Assim o aluno ganha confiança em si mesmo, em sua capacidade de ser autônomo, sem depender do professor/tutor. Mas isso tem que ser construído sobre uma base sólida, sobre “uma reflexão e uma concepção de mundo, de sociedade e de educação” (Preti), tem que ter uma metodologia bem clara, um caminho, uma direção, que dê sentido a esse ato educativo. Se for realmente esse projeto/curso que vai atender as aspirações do aluno, só assim ele vai ter a sua auto formação, e finalmente construir a sua autonomia.


Referências Bibliográficas


FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996

MENDES ,C.O.S. e outros. A influência da Afetividade na EaD como fator de contribuição para redução da Evasão. Disponível em: <http://www.uemanet.
uema.br/artigos_esud/58504.pdf> Acesso em: 23 março 2010.

MORAIS F°, L.A.de. O que significa a autonomia do aluno de EaD fundamentada na flexibilidade do tempo e do espaço? Disponível em: <http://www.seednet.mec.gov.br/
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MORAN, José Manuel. O Que é Educação a Distância. Disponível em:<http://www.
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_______, J.M. O que é educação a distância. Disponível em: <http://www.eca.usp.
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_______, J. M. Como Utilizar a Internet na Educação. Revista Ciência da Informação, Vol 26, n.2, maio-agosto 1997, pág. 146-153.  Disponível em: < http://www.
scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s0100-19651997000200006> Acesso em: 21 abril 2010.
PRETI, Oreste. Educação a Distância: uma prática educativa mediadora e mediatizada. In: Preti, Oreste(org.). Educação a Distância: inícios e indícios de um percurso. Cuiabá: UFMT/NEAD, 1996, p. 15-56.